------------------------------------------------
Sibila entre as lápides da necrópole o vento triste da tarde monótona.
É um dia comum.
Ninguém vem em busca de seus mortos.
O cemitério está vazio e adormecido na melancolia do abandono !
Mas há uma população invisível entre os túmulos.
Seres ocultos perambulam pelas estreitas vielas dos sepulcros.
Almas angustiadas e desiludidas
Choram inconformadas sobre os despojos
Que já não lhes pertencem,
E à natureza devolvem os seus átomos.
Jogam-se sobre seus restos mortais
Como a querer ressuscitá-los,
Em desespero, imploram suas voltas ao baile vicioso das convenções humanas.
Delitos, crimes, descuidos morais aparecem agora em suas telas mentais.
Juízes implacáveis jogam-lhe em rosto os deslizes perpetrados.
Angustia e sofrimento.
Lágrimas amargas
revolta ou arrependimento.
Estão alheios ao espetáculo belíssimo da vida infinita.
Mas novos caminhos e horizontes se abrirão.
Reencontrarão a trilha perdida no colo terno de uma nova mãe.
No seio seguro de uma nova família.
Na experiência de um novo corpo humano.
Na vereda renovadora e salutar de uma nova encarnação !
Não lembrarão mais os uivos tristes do vento entre as lápides.
Não mais buscarão o corpo velho que devolve à natureza as partículas que lhes formaram.
O juiz implacável não mais lhes cuspirá em rosto os erros pretéritos.
A lembrança adormecida será o esquecimento que lhes garantirá paz de espírito.
...e lhes nortearão na busca de valores eternos.
Reencarnação:
A criança - o recém nascido - que traz alegria à família,
E esperança aos pais,
É espírito antigo, talvez antigo comparsa,
Companheiro de distante ou recente passado !
-------------------------------------------------------
Na manhã bonita e clara, o vento sopra calmo;
O Sol entra pela janela aberta iluminando o quarto,
Onde um bebê, num berço, toca algum brinquedo,
Sob o olhar carinhoso e complacente de uma mãe,
Que o guiará na nova encarnação,
Nova experiencia
Nova oportunidade !

